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Ferrovias metropolitanas exigem planejamento de longo prazo e fiscalização na Grande SP

 


Sindicato da Sorocabana aponta prioridades para os próximos quatro anos, com foco em investimentos, segurança, qualidade dos serviços e direitos dos trabalhadores

 

A gestão das ferrovias metropolitanas está entre os desafios do Governo de São Paulo para os próximos quatro anos. Com dezenas de projetos em planejamento e execução, o Estado precisará conciliar investimentos em infraestrutura, segurança, expansão da rede, fiscalização das concessões e garantia dos direitos dos trabalhadores. Para o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana, essa agenda exige planejamento de longo prazo e acompanhamento permanente do poder público.

 

O programa SP nos Trilhos reúne mais de 40 projetos de transporte, entre trens metropolitanos, trens intercidades, metrô e VLT, com investimentos estimados em R$ 194 bilhões. Entre as iniciativas para a Grande São Paulo estão as Linhas 8 e 9, as Linhas 10, 11, 12 e 13 e novos projetos de transporte ferroviário de passageiros.

 

Para o Sindicato da Sorocabana, o volume de projetos reforça a necessidade de critérios claros para orientar as decisões do governo. A entidade defende que as ferrovias sejam tratadas como política de Estado, com planejamento contínuo, transparência e fiscalização efetiva, independentemente do modelo de operação de cada linha.

 

“Precisamos saber qual é o projeto para as ferrovias de São Paulo. Não basta anunciar uma concessão, uma obra ou um investimento. É preciso discutir as prioridades, como o Estado vai fiscalizar as concessões e, principalmente, como isso melhora a vida de quem usa e de quem trabalha na ferrovia”, afirma José Claudinei Messias, presidente do Sindicato dos Ferroviários da Sorocabana.

 

A experiência das Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda está no centro dessa discussão. Assinada em junho de 2021, a concessão à ViaMobilidade tem prazo de 30 anos e prevê investimentos em requalificação, ampliação e modernização da infraestrutura. Antes da concessão, o Sindicato questionou o modelo e seus impactos para usuários, trabalhadores e para o Estado. Em março de 2021, o Tribunal de Contas do Estado suspendeu temporariamente o edital, antes de autorizar sua retomada.

 

Pesquisa de satisfação da AtlasIntel contratada pela própria concessionária, realizada em outubro de 2025, registrou 58,1 pontos de aprovação na Linha 8 e 62,2 na Linha 9, em uma escala de zero a cem. No mesmo levantamento, a percepção de segurança caiu 11,4 pontos em relação a abril daquele ano.

 

Para o Sindicato, os indicadores precisam ser analisados junto à experiência cotidiana de passageiros e trabalhadores, especialmente diante de problemas de operação, infraestrutura e manutenção. A entidade defende fiscalização permanente, medidas preventivas e mecanismos efetivos de acompanhamento da qualidade do serviço e das condições de trabalho.

 

“Nosso compromisso é com os trabalhadores e usuários do serviço, independentemente de a empresa ser pública ou concessionada. Nossa atuação é independente e voltada à garantia de direitos, à valorização profissional e à preservação das conquistas construídas com muita luta e participação da categoria”, ressalta Messias.

 

Para os próximos quatro anos, o Sindicato defende que o Governo de São Paulo estabeleça prioridades claras para o setor, com integração entre projetos, investimentos consistentes e respeito aos direitos dos profissionais. O objetivo é garantir uma ferrovia segura, estruturada e eficiente, que atenda às necessidades dos passageiros e valorize quem mantém o sistema em funcionamento.

 

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