Atualmente, cerca de 23% das fêmeas de
corte e de leite em idade reprodutiva no Brasil são inseminadas. O Movimento
G30 quer mudar esse cenário e elevar esse índice para pelo menos 30%, atingindo
3 em cada 10 fêmeas até 2030.
O G30 é formado por diversas entidades
de classe do setor privado, academia, instituições públicas e empresas,
reunindo representantes dos diferentes elos ligados à pecuária brasileira. Em
comum, todos têm atuação direta ou relacionada às cadeias da carne e do leite e
o compromisso de construir uma agenda conjunta voltada ao aumento da
produtividade, da eficiência e da sustentabilidade do setor.
“A proposta do G30 é ampliar a adoção
integrada de tecnologias como fator de competitividade da pecuária brasileira.
Sabemos que, em muitas propriedades, a tecnologia reprodutiva funciona como uma
das portas de entrada para a tecnificação, porque permite ao produtor
incorporar genética superior ao rebanho e constatar, de forma concreta, os
ganhos que a tecnologia proporciona. Mas esse é apenas o começo”, explica Luis
Adriano Teixeira, presidente da ASBIA, entidade que idealizou o movimento.
A atuação do G30 será coordenada por um
Comitê Gestor formado pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial
(ASBIA), Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC),
Associação Brasileira de Andrologia Animal (ABRAA), Associação Brasileira das
Indústrias de Suplementos Minerais (ASBRAM), Associação Nacional dos
Confinadores (ASSOCON), Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões (SBTE) e
Embrapa.
O Comitê é responsável pela definição
das diretrizes e ações prioritárias do movimento, que serão desdobradas em
diferentes frentes de atuação, envolvendo educação e capacitação, pesquisa e
inovação, políticas públicas e relações governamentais, instituições de ensino
e pesquisa, entidades de classe, empresas e indústria, assistência técnica e
produção rural. A proposta é fazer com que as iniciativas alcancem, de forma
coordenada, os diferentes agentes e elos da pecuária brasileira – do
conhecimento científico e da formulação de políticas públicas até a adoção das
tecnologias no campo.
“Para que a genética expresse todo o
seu potencial e se traduza em melhores resultados reprodutivos e produtivos, é
fundamental ser acompanhada de nutrição adequada, sanidade, manejo eficiente e
uma gestão cada vez mais qualificada da propriedade. É essa visão integrada que
orienta o G30 e estimula a evolução conjunta das ferramentas que interferem no
desempenho do sistema de produção”, completa Luis Adriano.
Além do ganho econômico, a adoção de
tecnologias ajuda a ter uma pecuária de menor impacto ambiental. Estudos
liderados por pesquisadores da USP e Embrapa mostram que a inseminação
artificial em tempo fixo (IATF) pode reduzir em até 37% a pegada de carbono por
litro de leite e em até 49% por quilo de peso vivo na produção de corte, quando
comparada a sistemas baseados exclusivamente em monta natural.
“Tecnologia isolada gera avanço
individual, mas quando está integrada às condições adequadas de manejo e
gestão, o potencial de transformação é muito maior, tanto em produtividade
quanto em sustentabilidade para a cadeia produtiva”, destaca o presidente da
ASBIA. “A proposta é colocar diferentes atores da cadeia em uma mesma direção,
com a tecnologia reprodutiva integrada às demais práticas que determinam o
desempenho da produção. O produtor está no centro desse processo, mas
precisamos de todos trabalhando para transformar potencial produtivo em
resultados concretos”.
Além do trabalho com os produtores, o
G30 utilizará os mecanismos públicos disponíveis, como os recursos para
melhoramento genético animal contemplados pelo RenovAgro, programa de crédito
rural voltado à agricultura de baixo carbono. Há possibilidade de financiamento
de até R$ 5 milhões por produtor para investimento nesse campo.
A pecuária é a maior atividade animal
do Brasil, com Valor Básico da Produção de R$ 510 bilhões. No total, o rebanho
de corte e leite tem 218 milhões de cabeças, sendo 70 milhões de fêmeas em
idade reprodutiva. Em 2025, o país produziu 12,4 milhões de toneladas de carne
bovina e 38 bilhões de litros de leite, além de exportar 3,5 milhões de
toneladas de carne bovina.
“Os números da atividade já são
excelentes, mas ampliar a eficiência reprodutiva contribuirá para acelerar
ainda mais o melhoramento genético e, por consequência, incrementar a
produtividade. Isso representa mais carne e leite e, consequentemente, mais
rentabilidade para os pecuaristas e receita para o país”, assinala o presidente
da ASBIA.
Sobre a Asbia
Fundada em novembro de 1974, a
Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) tem como objetivo
difundir e fomentar o uso da inseminação artificial na pecuária nacional. Para
isso, a entidade realiza ações visando a promoção e divulgação da técnica, além
de colaborar com poderes governamentais. A Asbia também busca cooperar com o aperfeiçoamento
e o desenvolvimento do setor empresarial, para ampliar o mercado e melhorar os
sistemas de distribuição de seus produtos.




