Imobilidade durante
internações e no período após cirurgias está entre os fatores que exigem
avaliação individual do risco de tromboembolismo venoso, condição que ganhou
novas regras para prevenção no ambiente hospitalar em 2026
O
risco de trombose não está restrito a viagens longas ou pessoas que permanecem
muitas horas sentadas. Pacientes hospitalizados também podem estar expostos,
especialmente quando a internação envolve mobilidade reduzida, cirurgias ou
outras condições clínicas que favorecem a formação de coágulos. O alerta ganha
relevância neste 16 de setembro, Dia Nacional de Combate e Prevenção à
Trombose, instituído pela Lei nº 12.629/2012 e incluído no calendário oficial
do Ministério da Saúde.
Em
2026, o tema também passou a ter um novo componente regulatório. Sancionada em
30 de junho, a Lei nº 15.448 determinou que hospitais públicos e privados e
unidades de saúde que ofereçam internação mantenham uma estrutura destinada a
ações profiláticas relacionadas ao tromboembolismo venoso. A legislação entra
em vigor após 180 dias de sua publicação oficial e prevê que essas ações
poderão ser desenvolvidas pelos Núcleos de Segurança do Paciente, quando
existentes.
Prevenção
começa pela identificação do risco
A
trombose venosa profunda ocorre quando um coágulo se forma em uma veia
profunda, com maior frequência nos membros inferiores. Entre os fatores
relacionados ao problema estão mobilidade reduzida, internação, procedimentos
cirúrgicos, câncer, idade, obesidade e histórico prévio de trombose. Em
determinadas situações, parte do coágulo pode se deslocar até os pulmões e
provocar uma embolia pulmonar, quadro potencialmente grave.
Por
isso, a prevenção hospitalar não deve começar apenas quando aparecem dor ou
inchaço. O primeiro passo é avaliar o risco individual do paciente e
reavaliá-lo ao longo da internação, considerando fatores clínicos, tipo de
cirurgia, capacidade de movimentação e risco de sangramento.
Um
estudo brasileiro publicado em 2025 analisou 772 pacientes clínicos e
cirúrgicos internados por mais de 48 horas em um hospital de Porto Alegre.
Embora os dados tenham sido coletados entre 2017 e 2019, a análise mostrou que
aproximadamente 30% dos pacientes receberam profilaxia considerada inadequada
pelo protocolo da instituição, principalmente por subutilização quando havia
indicação. Os autores reforçam a necessidade de modelos de estratificação
capazes de identificar corretamente os pacientes de maior risco.
Nesse
contexto, a prevenção depende da compreensão de que pacientes submetidos ao
mesmo procedimento podem apresentar níveis diferentes de risco. A conduta deve
considerar o quadro clínico completo e ser reavaliada conforme a mobilidade e
as condições do paciente mudam durante a internação.
Estratégias
variam conforme o perfil do paciente
As
medidas preventivas podem incluir mobilização precoce, medicamentos
anticoagulantes e métodos mecânicos, sempre de acordo com avaliação clínica e
protocolos assistenciais. Recomendações publicadas em 2025 pela Enhanced
Recovery After Surgery Society, por exemplo, reforçam a adoção de estratégias
mecânicas e farmacológicas combinadas em determinados pacientes submetidos à
cirurgia colorretal.
Entre
os recursos mecânicos está a compressão pneumática intermitente, que utiliza
ciclos de pressão nos membros inferiores para favorecer o fluxo venoso. Uma
revisão sistemática publicada em 2025 avaliou esse tipo de terapia no contexto
de artroplastia total de quadril, reforçando seu papel entre as alternativas
utilizadas para prevenção do tromboembolismo venoso em pacientes cirúrgicos
selecionados.
Equipamentos
voltados especificamente a esse tipo de cuidado podem integrar os protocolos
hospitalares de prevenção. O sistema de compressão pneumática DVT, por
exemplo, atua por meio de compressão pneumática intermitente dos membros
inferiores. O recurso, entretanto, deve ser utilizado de acordo com a avaliação
clínica, a indicação para cada paciente e os protocolos definidos pela
instituição.
Com
a nova legislação brasileira, a prevenção do tromboembolismo venoso tende a
ganhar ainda mais espaço nas rotinas de segurança do paciente. O ponto central,
porém, permanece o mesmo: identificar o risco antes que os primeiros sintomas
apareçam.



