Entidade alerta que o
abandono de trilhos em diversos pontos encarece o frete, inflaciona os
alimentos no supermercado e prejudica o desenvolvimento das cidades do interior
Representando o Sindicato
dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana e a Federação
Nacional dos Trabalhadores Ferroviários (FNTF), o presidente José Claudinei
Messias protocolou contribuição técnica na primeira sessão da Audiência Pública
nº 11/2026 da ANTT, em Brasília, que define o futuro da Malha Sul – rede de
trilhos que funciona como a principal ligação logística entre os estados de São
Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e a fronteira com a Argentina.
Com foco na defesa do
patrimônio da União, o Sindicato exige que as novas regras do edital obriguem
as concessionárias atuais a recuperarem e devolverem as ferrovias funcionando
plenamente, combatendo o abandono e o sucateamento de linhas históricas.
Segundo o documento protocolado pelo Sindicato na ANTT, quando as malhas da
antiga FEPASA e da RFFSA foram repassadas à iniciativa privada na década de
1990, o Estado brasileiro entregou uma estrutura robusta e plenamente
operacional: vias permanentes ativas, oficinas, pátios de manobra, estações e mão
de obra altamente qualificada.
“Entretanto, após quase
30 anos de concessão, a realidade da Malha Sul é de abandono em diversos
trechos. O Sindicato denuncia que a concessionária atual direcionou seus
investimentos quase que exclusivamente para corredores de exportação de alta
rentabilidade (como as Malhas Paulista e Norte), deixando ramais regionais
históricos definharem”, denuncia José Claudinei Messias, presidente do
Sindicato da Sorocabana.
"Se você aluga um
imóvel, tem a obrigação legal de devolvê-lo nas mesmas condições em que o
recebeu. No entanto, o que estamos vendo na Malha Sul é a devolução de
patrimônio público depredado, com trilhos arrancados, estações destruídas e
ramais inteiros desativados porque a empresa privada preferiu focar apenas nos
trechos que geram lucro rápido. O modal ferroviário deve ser encarado como
política de Estado e não de Governo", alerta Messias.
Caso Ourinhos
– A interrupção da atividade ferroviária no ramal de Ourinhos tornou-se
emblemática e produziu impactos negativos incalculáveis. Além de submeter os
trabalhadores à difícil escolha entre a transferência compulsória para
localidades distantes ou o desligamento da empresa, municípios vizinhos
perderam competitividade logística.
O encarecimento dos
fretes e o aumento dos custos forçaram a migração para o transporte rodoviário,
prejudicando investimentos privados vinculados ao modelo. Trata-se de uma
consequência da falta conservação do patrimônio concedido e do direcionamento
dos ativos para corredores de maior rentabilidade econômica.
Impacto econômico para a
população – O Sindicato da Sorocabana enfatiza que o
sucateamento das ferrovias não é problema apenas dos ferroviários, mas de toda
a sociedade. A falta de trens regionais funcionando força o transporte de
cargas a migrar para as rodovias, encarecendo o custo do frete que,
inevitavelmente, é repassado ao preço dos alimentos e produtos no supermercado.
Um exemplo foram os recentes eventos climáticos extremos ocorridos no Sul do
país demonstraram que a ferrovia é uma infraestrutura de segurança nacional
indispensável.
Segundo o Sindicato
Sorocabana, a reconstrução da malha ferroviária do Rio Grande do Sul deve ser
uma prioridade estratégica no novo contrato de concessão. Os danos causados
pelas enchentes evidenciaram a necessidade de uma infraestrutura resiliente,
capaz de assegurar o abastecimento, o escoamento da produção e a integração
logística da Região Sul com o restante do país. Diante disso, a entidade
defende que o novo acordo preveja obrigações claras de recuperação, manutenção
e modernização da malha gaúcha, evitando que trechos essenciais fiquem
inoperantes ou expostos a novas deteriorações.
"Exigimos a inclusão
de cláusula de devolução obrigatória para que as concessionárias atuais – não
apenas da Malha Sul, mas de todo o país – entreguem os trilhos e estações
totalmente operacionais, além de auditorias independentes e um fundo financeiro
de garantia para cobrir prejuízos à infraestrutura. Também defendemos uma
comissão permanente de fiscalização, envolvendo municípios, o governo e os
trabalhadores, e o veto definitivo ao abandono de ramais regionais. A Malha Sul
é estratégica demais para ser tratada como sucata e descartável. Ela precisa
gerar desenvolvimento regional, frete mais barato para a cadeia dos alimentos e
respeito aos trabalhadores ferroviários", afirma José Claudinei Messias,
presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona
Sorocabana e representante da Federação Nacional dos Trabalhadores Ferroviários
(FNTF) na audiência pública.



