| Fonte: Izabelly Mendes. |
A forma como uma pessoa se enxerga — seu valor, aparência, capacidades e identidade — é profundamente moldada por experiências vividas, especialmente as traumáticas. Situações dolorosas do passado, sejam elas explícitas como violência ou mais sutis como rejeições recorrentes, podem deixar marcas duradouras na maneira como nos percebemos. Mas como, exatamente, os traumas afetam nossa autoimagem?
A construção da autoimagem
A autoimagem é formada desde a infância, com base nas interações familiares, sociais e culturais. Ela inclui a percepção que temos sobre nosso corpo, personalidade, habilidades e valor pessoal. Quando essas vivências são saudáveis e acolhedoras, tendemos a desenvolver uma visão positiva de nós mesmos. Mas quando há traumas — como abandono, humilhação, abuso físico ou emocional — essa construção pode ser distorcida.
“Traumas nos fazem duvidar de quem somos. Eles nos convencem, muitas vezes, de que não somos bons o bastante, que não merecemos amor ou que somos inadequados de alguma forma”, explica o psicólogo e terapeuta comportamental Rafael Mendes.
Trauma não é só o que aconteceu — é como foi sentido
Nem todo trauma vem de grandes eventos. Às vezes, situações aparentemente pequenas, como uma crítica constante dos pais ou um episódio de bullying na escola, podem gerar feridas profundas se forem mal elaboradas. O impacto emocional do trauma depende mais da forma como ele foi vivido do que da gravidade objetiva do acontecimento.
E essas feridas emocionais podem se manifestar em pensamentos autodepreciativos, perfeccionismo excessivo, medo do julgamento e até em dificuldades para aceitar elogios. É comum, por exemplo, que pessoas que sofreram rejeição desenvolvam uma autoimagem de “não serem dignas de amor”.
O corpo também fala
Em muitos casos, a autoimagem corporal é afetada pelos traumas. Pessoas que vivenciaram abusos ou críticas constantes sobre seu corpo podem desenvolver distúrbios alimentares, vergonha da própria aparência ou um olhar distorcido sobre si mesmas.
“Nosso corpo guarda memórias. E muitas vezes ele se torna o alvo da dor que não conseguimos processar emocionalmente”, afirma a terapeuta corporal Juliana Ferreira.
Reflexos nos relacionamentos e na vida profissional
Uma autoimagem fragilizada pode gerar insegurança nos relacionamentos, medo de se expor, dificuldade para dizer “não” ou assumir posições de liderança. Em alguns casos, pode até sabotar oportunidades por acreditar, inconscientemente, que “não merece” sucesso ou felicidade.
A cura começa com a consciência
Reconhecer como os traumas moldaram nossa forma de nos enxergar é o primeiro passo para resgatar uma auto imagem mais realista e compassiva. A terapia é uma ferramenta poderosa nesse processo, ajudando a identificar crenças limitantes, ressignificar experiências passadas e construir uma nova narrativa sobre si mesmo.
“O trauma conta uma história sobre você. A terapia ajuda a reescrever essa história com mais verdade e menos dor”, conclui o psicólogo Rafael Mendes. sugar baby
Em resumo, os traumas deixam marcas — mas não são sentenças permanentes. Com cuidado, apoio e autocompaixão, é possível reconstruir uma autoimagem mais saudável e alinhada com quem realmente somos, e não com aquilo que nos feriu.




