Ajustes regulatórios, avanço da medicina preventiva e pressão por controle de custos devem alterar critérios de contratação e gestão dos planos nos próximos anos
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A contratação de planos de saúde no Brasil
entra em 2026 sob influência de transformações estruturais que vão além do
reajuste anual de preços. O setor passa por mudanças impulsionadas por fatores
regulatórios, demográficos e tecnológicos, ao mesmo tempo em que empresas e
consumidores buscam maior previsibilidade de custos e eficiência na utilização
dos serviços. O envelhecimento da população, a ampliação do uso de dados na
gestão assistencial e a pressão por sustentabilidade financeira moldam um novo
cenário para o mercado.
Nos últimos anos, o aumento das despesas
médicas e hospitalares levou operadoras a reverem modelos tradicionais de
cobertura. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar mostram que os custos
assistenciais seguem crescendo acima da inflação geral, pressionando reajustes
e exigindo estratégias mais refinadas de controle de sinistralidade. Em
resposta, as empresas passaram a adotar critérios mais rigorosos na contratação
e na gestão dos planos, movimento que tende a se aprofundar em 2026.
Um dos pontos centrais está na mudança de foco
do tratamento para a prevenção. Programas de atenção primária à saúde ganham
espaço como forma de reduzir internações e procedimentos de alto custo.
Consultas periódicas, monitoramento de doenças crônicas e incentivo a hábitos
saudáveis passam a ser incorporados de maneira mais estruturada aos contratos.
Esse modelo, já presente em algumas operadoras, tende a se consolidar como
padrão, alterando a lógica de uso do plano pelo beneficiário.
Regulação
mais detalhada e contratos mais transparentes
No campo regulatório, ajustes nas normas da ANS
devem trazer maior transparência sobre critérios de reajuste e composição de
preços. A discussão sobre previsibilidade contratual e equilíbrio
econômico-financeiro permanece no centro do debate, principalmente para
empresas que oferecem o benefício como parte da política de retenção de
talentos. A tendência é de contratos mais detalhados, com cláusulas que
explicitem limites de cobertura, coparticipação e mecanismos de controle de
custos.
Esse movimento exige maior atenção dos
contratantes no momento da negociação. A leitura cuidadosa das condições
contratuais passa a ser decisiva para evitar surpresas ao longo do ano,
especialmente em períodos de alta utilização dos serviços. Em 2026, a relação
entre empresas e operadoras tende a se tornar mais técnica e baseada em
indicadores objetivos.
A digitalização também avança como elemento
decisivo. A telemedicina, regulamentada de forma definitiva após a pandemia,
deixa de ser apenas um recurso complementar e passa a integrar a jornada
regular de atendimento. Em 2026, a expectativa é que consultas remotas,
triagens digitais e prontuários eletrônicos interoperáveis reduzam custos
operacionais e ampliem o acesso, especialmente em regiões com menor oferta de
especialistas.
Personalização
e gestão ativa do benefício
Outro fator relevante é a segmentação dos
planos conforme o perfil do contratante. Operadoras têm investido em produtos
mais personalizados, levando em conta faixa etária, histórico de utilização e
porte da empresa. Essa segmentação busca reduzir desperdícios e alinhar o custo
do plano ao risco real da carteira, exigindo maior envolvimento das empresas na
gestão do benefício.
Nesse contexto, o plano de saúde PJ passa a ser analisado não apenas como despesa
fixa, mas como ferramenta estratégica de gestão de pessoas. Empresas avaliam
com mais cuidado o impacto do benefício sobre absenteísmo, produtividade e
rotatividade. Estudos da Fundação Getúlio Vargas indicam que colaboradores com
acesso regular a cuidados preventivos tendem a apresentar menos afastamentos
prolongados, o que reforça a lógica de investimento em modelos mais eficientes
de assistência.
A contratação em 2026 também deve refletir
maior atenção à coparticipação. Esse mecanismo, no qual o beneficiário arca com
parte do custo de determinados procedimentos, vem sendo utilizado como forma de
estimular o uso consciente do plano. Embora gere debates sobre acesso,
especialistas apontam que, quando bem calibrada, a coparticipação ajuda a
equilibrar custos sem comprometer a qualidade do atendimento.
Além disso, cresce a exigência por dados e
indicadores de desempenho. Empresas contratantes demandam relatórios mais
detalhados sobre utilização, perfil de sinistros e efetividade das ações de
saúde. Essa análise orientada por dados permite renegociar contratos, ajustar
coberturas e implementar programas específicos para reduzir riscos futuros.
O cenário de 2026 aponta para um mercado de
planos de saúde mais técnico, transparente e orientado à eficiência. Para quem
contrata, a principal mudança está na necessidade de planejamento e análise
contínua, substituindo decisões baseadas apenas em preço por avaliações mais
amplas de custo-benefício. Em um ambiente de pressão econômica e transformação
do setor, entender essas mudanças se torna essencial para garantir
sustentabilidade e qualidade na assistência à saúde.




