Sábado, 12 de Junho de 2021
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Agropecuária Agro

Especialista recomenda atenção ao fígado dos suínos para não comprometer o desempenho

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09/06/2021 14h15
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Por: Ueliton Mello
Foto por: Wenderson Araújo, CNA Brasil
Foto por: Wenderson Araújo, CNA Brasil

O fígado tem grande responsabilidade no processo de produção de proteínas nos animais. O órgão está envolvido na degradação de substâncias tóxicas e na produção da bile, encarregada de auxiliar na digestão de gorduras. Augusto Heck, gerente técnico de suínos da Biomin, acrescenta que, no caso dos fetos, o órgão também participa da produção de células do sistema imune.

“Um fígado saudável assegura a síntese de proteínas importantes, como albumina, além de ser reservatório de ferro, vitaminas e glicogênio. No entanto, vários desafios põem em risco as funções hepáticas, como contaminação por micro-organismos patogênicos e micotoxinas. As micotoxinas são substâncias tóxicas produzidas por fungos e comumente encontradas em matérias-primas ou rações. Aflatoxinas, Fumonisinas e até mesmo Zearalenona são tidas como fontes de agressão ao fígado, podendo levar a lesões irreversíveis”, descreve o gerente da Biomin, empresa de soluções naturais para nutrição animal do grupo DSM.

Heck explica que algumas doenças causadas por vírus e bactérias têm grande influência nos problemas hepáticos. “A circovirose é um exemplo de doença viral que provoca uma falha geral no sistema imunológico dos suínos, podendo causar hepatite. Atualmente, a doença é menos frequente graças ao uso de vacinas. A leptospirose tem transmissão bacteriana pelos ratos. O animal apresenta sinais clínicos, como febre, hepatite, nefrite e problemas reprodutivos. Mas, assim como a circovirose, seus danos podem ser minimizados por meio de um protocolo adequado de vacinação, além do controle de roedores”.

Para o suinocultor, o desafio está no correto diagnóstico desses problemas. Isso porque os sinais clínicos de problemas hepáticos somente são detectáveis em condições de grande comprometimento do órgão. Nesse caso, o animal fica pálido e diferentes partes do corpo adquirem tom amarelado, conhecido tecnicamente por icterícia – a conjuntiva ocular (membrana do olho) é o sinal mais comum. Carcaças e órgãos que chegam no frigorífico com essa tonalidade são condenados.

Em matrizes, a atenção precisa ser ainda maior. Augusto Heck assinala que um dos momentos mais críticos acontece próximo ao parto e durante a produção de leite, devido à elevada demanda de energia dessas tarefas. Esse aumento faz com que as fêmeas mobilizem uma parte importante de suas reservas corporais na forma de gordura e proteína, acarretando agressões ao seu organismo, num fenômeno chamado estresse oxidativo. Os resultados podem ser leitões fracos ao nascer pelo baixo peso, além da elevada mortalidade. “A produção de leite também será afetada e, consequentemente, os leitões serão desmamados com baixo ganho de peso”.

Diante dessa situação, os suinocultores precisam, sobretudo, fazer a gestão do escore corporal visual das matrizes na gestação e lactação. “Manter as fêmeas na condição ideal na gestação permite maior consumo na lactação, momento de elevada demanda de nutrientes para a produção de leite. O estímulo ao consumo na maternidade deve ser feito com maior oferta de ração por dia nos momentos mais frescos, em especial a partir da segunda semana de lactação. Se houver disponibilidade de mão de obra, recomendo incluir de um a dois arraçoamentos noturnos”, aconselha o especialista da Biomin.

O uso de aditivos naturais, como os fitogênicos, podem auxiliar o aumento do interesse e consumo da ração, pois tornam o cheiro e gosto mais atrativos, além de favorecer a digestão dos alimentos e a absorção dos nutrientes. “É uma ferramenta acessível muito interessante para diminuir a mobilização das reservas corporais da matriz suína, mesmo em condições de estresse térmico. Outro fator é o controle da temperatura ambiente, focando no conforto das matrizes, pois os leitões têm o escamoteador. Fêmeas e leitões têm faixas de temperatura de conforto muito distintas. A zona de conforto térmico da fêmea fica entre 16 e 22 °C.”, completa.

Augusto Heck pede atenção à oferta de água em quantidade e qualidade, com bebedouros de vazão de 2 litros/minuto de água fresca (12 a 18 °C) e sem contaminação microbiológica.

“O cuidado precisa estar concentrado no pós-parto, sobretudo se houve necessidade de auxiliar no parto. Quando inflamações e infecções ocorrem nessa fase, atrasam o atingimento do pico de consumo de ração na lactação e favorecem o emagrecimento. Não existe uma única solução, apenas a combinação de várias estratégias, como manejo ambiental, gestão de micotoxinas, vacinação e manejo nutricional, que podem, juntos, proporcionar melhor desempenho das matrizes e leitões”.

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