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Direito & Justiça Opinião

Redução de despesas com o funcionalismo público é reconhecidamente irreal

Essa é a posição do advogado Fábio Lima, especialista na defesa do Servidor Público. Ele afirma que as projeções do IPEA não têm conexão com a Reforma Administrativa.

15/09/2020 15h37
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Por: A Redação
Redução de despesas com o funcionalismo público é reconhecidamente irreal

O IPEA, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, apresentou ontem, 15/09, uma Nota Técnica sobre as possíveis reduções da despesa de pessoal na União, Estados e Municípios. Dividida em cinco cenários, estima-se uma economia máxima próxima de R$ 800 Bi em 10 anos.

O advogado Fabio Lima, especialista na defesa do Servidor Público, esclarece que esta economia é apenas uma suposição e não decorre de nenhum dispositivo da PEC 32/2020 enviada pelo Governo Federal. A suposta economia, portanto, seria apenas hipotética.

 Segundo ele, no âmbito federal, dos 189 Bi de economia máxima, 94Bi decorreriam do congelamento por dois anos da remuneração, a qual nunca seria reposta, reduzindo artificialmente os salários e o padrão de vida dos servidores.  “Isto fere a proteção constitucional contra a redução de salários e não deve permanecer ao longo do tempo”, afirma o advogado.

A segunda maior parcela da economia (43 Bi) decorreria da simples não reposição de servidores, reduzindo o pessoal de nível superior em 10% e nível médio em 50%. “É um cenário reconhecidamente irreal. Como aplicar um corte linear de 10% em todas as carreiras de nível superior? Professores, policiais federais, magistrados, diplomatas, e mesmo o pessoal técnico de nível superior – que toca os contratos, a fiscalização, a gestão das políticas públicas em geral – isso significará menos serviços públicos à população”.

A mesma lógica, com reconhecidamente menor precisão, devido ao menor número de dados disponíveis, é aplicada aos estados e municípios, onde o corte de remuneração e não reposição de pessoal afetará a quantidade de médicos, professores, policiais civis, assistentes sociais, os serviços que a população mais pobre mais necessita.

“É o que os servidores vêm alertando, a ideia do governo é fazer economia pela precarização dos serviços prestados à população, reduzindo o acesso do cidadão aos seus direitos e penalizando os servidores no processo”, finaliza dr. Fábio

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