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Bolsonaro está em fase de negação sobre Covid-19, diz Mandetta

14/07/2020 16h40
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Por: A Redação
Bolsonaro está em fase de negação sobre Covid-19, diz Mandetta
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ex-inistro da Saúde Luiz Henrique Mandetta
Anderson Riedel/PR
Ministério da Saúde perdeu credibilidade, afirma Mandetta


O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM),  voltou a criticar a posição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) diante da pandemia do novo coronavírus. Segundo Mandetta , Bolsonaro está "estacionado na fase de negação" em relação à Covid-19.



O ex-ministro também comentou a insistência no uso da cloroquina no tratamento da doença,  voltou a alfinetar a ocupação de militares na pasta e comentou sobre futuro de sua carreira política.

Em entrevista ao Deutsche Welle, Mandetta afirmou que, no início dos alertas da Covid-19 , Bolsonaro escutou. "Mas é comum quando o médico dá um diagnóstico duro para uma pessoa ela sair da consulta negando", disse. "A primeira reação a uma notícia dura geralmente é a negativa. Aí vem a raiva, a tristeza e, finalmente, a aceitação e a colaboração. O presidente ficou estacionado na primeira fase, que foi de negação; no máximo se movimentou para a fase de raiva", acrescentou.

Ele afirma ainda que a solução encontrada pelo presidente foi "se cercar daquelas pessoas que em tempos de crise adoram falar o que o chefe quer ouvir". "Ele acreditou e se expôs ao ridículo de ir à rede nacional de televisão dizer que o coronavírus seria só uma ‘gripezinha’ que não mataria ninguém", afirmou Mandetta.

O médico explica ainda que Bolsonaro comprou o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao uso da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com a Covid-19. Mandetta avalia essa influência do presidente norte-americano como "negativa".

"O presidente sempre diz para "deixarmos a história julgar". Então provavelmente teremos um capítulo chamado " Cloroquina no Brasil", já que somos o único país em que ainda se discute isso com mais empenho do que enfrentar os graves problemas causados pela pandemia", disse Mandetta.

O ex-ministro foi questionado sobre a fala de Bolsonaro, que disse recentemente que Mandetta inflou os números do novo coronavírus no País. "Acho que talvez ele estivesse sob efeito de algum medicamento, sofrendo de algum delírio [...] ou comeu alguma coisa estragada, aí falou uma bobagem dessas. tem que perdoar, coitado", ironizou.

Militarização

Segundo Mandetta , o Governo Federal "abriu mão da academia, de séculos de construção do saber em saúde pública. "É como se você colocasse a condução do Ministério da Saúde, no momento de maior risco da história do país, nas mãos dos jogadores de futebol, nas mãos dos físicos nucleares", exemplifica.

Ele comentou que, com sua exoneração e demissão do ex-secretário nacional de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, e do ex-secretário-executivo, João Gabbardo, o ministério "perdeu a linha do tempo" e "as políticas que tinham sido iniciadas".

Não foram anunciadas novas medidas porque não há competência para isso. Os militares só estão esquentando a cadeira do Ministério da Saúde para uma indicação política, provavelmente alguém do ‘centrão’", diz Mandetta. 

Mandetta também falou sobre o apagão de dados que ocorreu no mês de junho. Segundo ele, a pasta precisa ser transparente e orientar a população desta maneira. "Quando você coloca segredos em cima de uma doença infecciosa, você erra profundamente, porque o segredo passa a ser o aliado do vírus", disse.

O médico afirmou ainda que o Ministério da Saúde "perdeu a credibilidade". "Essa epidemia ocorre na era da internet, não adianta, você não consegue esconder nada. Lamentavelmente, foi necessário que o Supremo Tribunal Federal (STF) ordenasse o Ministério a fazer o seu papel. A primeira linha de defesa das pessoas, das famílias, dá-se no âmbito de suas casas, e essa linha de defesa é feita com informação."

Impedido de trabalhar

Após a exoneração de Mandetta, o ex-ministro foi impedido pela Comissão de Ética de trabalhar em iniciativas privadas. O mesmo, no entanto, não foi aplicado ao seu sucessor, o ex-ministro Nelson Teich que ficou menos de um mês na Saúde.

Para Mandetta, a decisão é pessoal. "É a primeira vez na história que um ministro da Saúde é posto de quarentena", disse.

O médico ainda vê o não-impedimento de Teich como uma "confissão" de que o mês trabalhado pelo sucesso foi "um mês perdido". "Pode ser que alguém ache que ele não tenha feito nada, não tenha trabalhado, então reconheceram que ele não sabe de nada e autorizaram que ele pudesse trabalhar logo após deixar o governo."

Carreira política

Mandetta não informou o que tem preparado para sua carreira na política, mas disse que "será um cidadão muito participante nas eleições de 2022". "Mas se como eleitos, militante ou candidato, ainda é cedo para cravar", justificou.

No entanto, o médico afirma que pretende "construir um projeto de nação" com "inúmeras pessoas". "Já está na hora de todos concordarem que é com educação de qualidade que vamos sair dessa crise. A saúde e o meio ambiente também precisam de atenção especial", concluiu Madetta .

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