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Funcionário do mês ficou no passado? Como mudou a forma de reconhecer bons profissionai

 

Pesquisas recentes mostram que reconhecimento profissional está deixando de ser apenas pontual e hierárquico para ganhar frequência, personalização e participação dos próprios colegas

Créditos: iStock

Outubro reúne diferentes datas ligadas ao universo profissional e costuma ampliar as discussões sobre carreira, liderança e gestão de pessoas. Nesse contexto, uma prática conhecida de outras gerações volta: ainda faz sentido eleger o “funcionário do mês”, entregar uma placa e concentrar o reconhecimento em um único momento?

O modelo não desapareceu, entretanto, passa a dividir espaço com outras formas de valorizar o trabalho. Pesquisas publicadas em 2025 indicam que frequência, rapidez, personalização e participação de diferentes pessoas da equipe ganharam importância nos programas de reconhecimento.

A mudança ajuda a explicar por que empresas passaram a combinar agradecimentos cotidianos, reconhecimento entre colegas, experiências, folgas, bônus e diferentes formatos de premiação, em vez de depender apenas de cerimônias periódicas.

Reconhecimento começa a sair do calendário

O estudo “Building a Culture of Recognition”, publicado em 2025 pela Incentive Research Foundation, ouviu 1.078 trabalhadores nos Estados Unidos. Entre os entrevistados, 68,7% afirmaram receber reconhecimento apenas mensalmente ou com frequência ainda menor. Somente 28% disseram ser reconhecidos semanalmente ou diariamente.

O levantamento chama atenção justamente para a necessidade de reduzir a distância entre uma boa entrega e o momento em que ela é reconhecida. Segundo o relatório, práticas mais frequentes e próximas do acontecimento tendem a ser percebidas como mais sinceras e relevantes pelos profissionais.

Isso muda a lógica de programas tradicionais. Uma placa entregue no fim do mês pode continuar tendo valor simbólico, mas deixa de ser suficiente quando todo o reconhecimento depende daquele único ritual. Uma contribuição feita no início do período, uma ajuda importante a outro setor ou uma solução criada pelo coletivo podem perder força quando precisam esperar semanas para serem percebidas.

Quem reconhece também mudou

Outro sinal dessa transformação está na origem do reconhecimento. Na pesquisa da Incentive Research Foundation, 71% dos participantes apontaram o gestor imediato como uma das fontes mais frequentes de valorização, enquanto 41,7% mencionaram os próprios colegas.

A presença dos pares amplia o conceito. Em vez de depender apenas da escolha de uma liderança, o reconhecimento pode ocorrer entre pessoas que acompanham todos os dias entregas, colaboração, disponibilidade para ajudar e validações que nem sempre aparecem nos indicadores individuais.

Isso não significa substituir a responsabilidade do gestor. A tendência é de complementaridade. Lideranças continuam responsáveis por dar feedback, estabelecer critérios e reconhecer desempenho, enquanto as equipes podem valorizar comportamentos que ajudam o trabalho coletivo.

A discussão ganha respaldo também no Brasil. Artigo publicado em 2025 pela Revista do Serviço Público, da Escola Nacional de Administração Pública, analisou 5.635 trabalhadores da Receita Federal. O estudo identificou que reconhecimento e crescimento profissional apresentaram a maior correlação com fatores de engajamento entre as dimensões avaliadas pelos pesquisadores.

Do troféu à possibilidade de escolha

Outra diferença está no próprio formato da recompensa. O estudo de 2025 da Incentive Research Foundation identificou que, quando o reconhecimento envolve algo tangível, as preferências não são iguais para todos. Bônus financeiros aparecem entre as alternativas desejadas, acompanhados por tempo adicional de folga, cartões e experiências. O relatório recomenda variedade justamente porque as preferências mudam conforme cada profissional.

Experiências, dias livres, bônus ou um cartão de premiação podem funcionar como alternativas dentro de uma política mais flexível, desde que o reconhecimento esteja associado a critérios claros e a uma contribuição efetivamente percebida.

O ponto central deixa de ser apenas o valor financeiro. A própria pesquisa destaca que 58% dos entrevistados esperavam somente um agradecimento sincero ao realizar algo além do esperado. Quase três quartos, por outro lado, disseram que uma recompensa tangível pode aumentar o efeito desse reconhecimento.

Funcionário do mês pode continuar, mas não sozinho

Também há uma mudança no que merece ser reconhecido. No levantamento da Incentive Research Foundation, o desempenho individual apareceu como fator de reconhecimento para quase 87% dos participantes, mas resultados de equipe ou da organização também foram mencionados por 67,5%.

Esse cenário ajuda a relativizar a ideia de escolher apenas uma pessoa como destaque. Em ambientes nos quais os resultados dependem de colaboração entre áreas, reconhecer somente quem aparece na etapa final pode deixar de fora contribuições relevantes.

Por isso, o “funcionário do mês” não precisa necessariamente ser aposentado. O que parece envelhecer é a ideia de que reconhecer bons profissionais significa apenas escolher um vencedor, entregar um objeto simbólico e esperar o próximo mês. O reconhecimento contemporâneo tende a ser menos episódico e mais incorporado à rotina de trabalho.

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