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Redes sociais e saúde mental: uso excessivo amplia casos de transtornos mentais

 

Estudos mostram que diminuição do uso das redes é essencial para saúde mental dos usuários

Créditos: P. Kijsanayothin/iStock

Um levantamento realizado pela Comscore, em 2023, aponta o Brasil como terceiro país que mais consome redes sociais no mundo. Ao todo, são pouco mais de 9 horas por dia dedicadas às telas – 3 horas a mais que a média global, segundo pesquisa da Consumer Pulse, de 2025.

Além das horas excessivas que são destinadas às redes, os dados preocupam especialistas em saúde mental. O Panorama da Saúde Mental de 2024, estudo produzido pelo Instituto Cactus, em parceria com a AtlasIntel, revela que 45% dos casos de ansiedade entre jovens de 15 a 29 anos estão relacionados diretamente ao uso intensivo das redes sociais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também já alertou para o uso excessivo das redes, indicando que o consumo e o uso dessas plataformas podem ampliar casos de problemas de saúde mental.

Essa preocupação em relação ao uso das redes sociais se deve pela falsa sensação de realidade. Apesar de parecerem retratos idênticos da vida real, as publicações nas redes sociais são recortes pontuais do mundo real. Porém a sensação de realidade provoca comparações entre os usuários e grande dependência emocional com a validação externa.

Por que buscamos validação nas redes sociais

Quando realizamos uma publicação e visualizamos as diversas curtidas e comentários positivos nela, nosso cérebro automaticamente produz a dopamina, hormônio de recompensa que gera prazer.

Essa sensação de prazer, no entanto, é momentânea. E como todos gostam de sentir prazer, a vontade de publicar cada vez mais para receber mais curtidas e comentários positivos é muito grande.

Com o tempo, a repetição de publicações gera uma dependência por validação externa para que possamos sentir prazer.

Comparação constante e seus efeitos na autoestima

Essa rotina de publicações e procura por validação externa gera uma exposição excessiva da vida nas redes e também alterações na percepção de realidade e do próprio valor do usuário, além de afetar a autoestima.

Passar 9 horas por dia olhando recortes de vidas “perfeitas”, já que, em sua grande maioria, os usuários postam apenas conquistas e sucessos, gera uma distorção da realidade e faz com que o usuário não consiga focar nas conquistas pessoais, mas, sim, no fato de que ela ainda não alcançou o ideal visto nas telas.

Esses ideais, porém, são irreais e inalcançáveis – já que só a conquista é mostrada; a falha e o processo, não –, o que pode gerar um ciclo vicioso de insatisfação e comparação com o outro.

Quando o uso das redes pode se tornar prejudicial

Seguir perfis que não mostram o processo até o sucesso gera sensações de fracasso e incapacidade. Além disso, estudos como o da Baylor University indicam que, quanto mais tempo passado na tela, mais a sensação de solidão cresce nos usuários.

Essa sensação de solidão e fracasso reforça ainda mais a necessidade de validação externa, através de curtidas e comentários positivos nas publicações, o que pode gerar uma grande dependência emocional dessa validação.

Como desenvolver uma relação mais saudável com as redes

É de extrema importância que cada usuário diminua o tempo de tela e aumente as interações presenciais. Colocar limite de tempo nos próprios aplicativos das redes e seguir pessoas que tragam também as falhas e os problemas que a vida real tem ajudam a diminuir a construção do ideal de um mundo que só tenha sucessos.

Assim como seguir pessoas com rotinas e características físicas parecidas também ajuda na diminuição da queda da autoestima e a olhar com bons olhos suas próprias características.

Equilíbrio é essencial no mundo digital

Outro dica importante é não esquecer que o mundo real existe. O estudo da Baylor University também traz que as redes sociais não podem suprir as necessidades de interações presenciais. Por isso, encontrar um equilíbrio entre o mundo virtual e o mundo real é essencial para manter a saúde mental e a autoestima protegidas.

Sair com amigos, passar tempo com a família ou começar um hobbie em conjunto, como clube de livros, filmes, séries, etc., traz uma sensação maior de pertencimento e menor de solidão.

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