A startup brasileira LandPrint acaba de ser reconhecida como uma das 12
melhores tecnologias globais para análise de riscos físicos e financeiros
associados à degradação ambiental, no desafio “Nature Intelligence for
Business”, promovido pela TNFD (Taskforce on Nature-related Financial
Disclosure) em parceria com a ConservationXLabs.
A TNFD é o principal padrão global de relatoria corporativa em natureza.
Sua metodologia LEAP orienta empresas a localizar, avaliar e mensurar como suas
atividades impactam o meio ambiente e como esses impactos retornam na forma de
riscos operacionais, financeiros e reputacionais.
Mais de 700 empresas em 50 países adotam os padrões da TNFD, enquanto a
ConservationXLabs tem atuação mundial e já realizou 19 premiações globais
voltadas para a mitigação de problemas ao meio ambiente, repassando mais de US$
12 milhões para projetos disruptivos.
O desafio lançado pela TNFD, com apoio do governo da Alemanha e do
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, buscou identificar
tecnologias capazes de traduzir essa complexidade ambiental em inteligência de
negócios escalável e baseada em dados.
Segundo Daniele Cesano, CEO da LandPrint, “o problema não é apenas
ambiental. É financeiro. Empresas ainda não enxergam o ativo ambiental como um
ativo econômico real. Solo, biodiversidade, água e estabilidade climática são
infraestruturas produtivas invisíveis que sustentam cadeias inteiras. Quando
essas infraestruturas se degradam, o risco aparece no balanço.”
Ele explica que “se uma empresa apoia o uso intensivo de agrotóxicos em
sua cadeia e isso elimina polinizadores, a produtividade do cultivo cai. Isso
não é apenas impacto ecológico. É risco operacional, volatilidade de receita e risco
de crédito. O mercado ainda não contabiliza isso porque faltam sistemas
robustos de mensuração.”
A proposta da LandPrint é justamente preencher essa lacuna, com uma plataforma
que transforma dados ambientais em inteligência financeira. O mesmo dado que
protege um produtor rural contra perdas climáticas protege uma cadeia de
suprimentos contra perda de competitividade, orienta decisões de crédito mais
seguras e abre caminho para certificações e acesso a capital”, ressalta Cesano.
A empresa atua na fronteira entre natureza, gestão de risco e finanças,
ajudando corporações e instituições financeiras a compreender sua dupla
materialidade, ou seja, como impactam a natureza e como a natureza impacta seus
resultados. “O momento exige mais do que relatórios. Exige mensuração
estruturada, análise de risco e integração da natureza na estratégia
financeira. A natureza não é uma externalidade. É um ativo. E ativos precisam
ser medidos.”
A LandPrint (www.landprint.earth) foi criada em
2023 por cientistas, agrônomos e profissionais de finanças com mais de 75 anos
de experiência combinada que compartilhavam a frustração de que o ativo mais
valioso do planeta, a natureza, ainda não é valorizado pelo sistema econômico.
Assim, decidiram que era hora de criar uma tecnologia para conectar a
regeneração ambiental ao sistema financeiro global.
Em três anos de atuação, a startup conseguiu implementar 18 projetos,
totalizando mais de 150 mil hectares com classificação de risco aprimorada
com dados, trabalho que diminuiu em 90% os custos relacionados à verificação
de compliance socioambiental em toda a cadeia de valor e ajudou a
valorar o ativo ambiental como capital financeiro.



