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Investir na aquisição de imóvel ainda vale a pena? Especialista explica estratégia para o investidor brasiliense

 Cenário de juros elevados exige planejamento e análise criteriosa na hora de alocar recursos

Foto: Divulgação


O avanço de 11% nos lançamentos residenciais no Distrito Federal, impulsionado por condições facilitadas em editais da Terracap (Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal), trouxe fôlego renovado ao mercado local. O cenário de otimismo, contudo, é testado pelo atual patamar dos juros, que obriga o brasiliense a um cálculo estratégico: a dúvida agora é se a melhor rentabilidade reside na solidez do imóvel físico ou na agilidade dos fundos imobiliários (FIIs).

Tradicionalmente focado em previsibilidade e com um perfil poupador amparado pela estabilidade da renda de servidores públicos, o Distrito Federal vive um cenário de ampliação do acesso ao crédito. No entanto, com o custo do financiamento mais elevado e a maior atratividade de aplicações financeiras, cresce a necessidade de avaliar se a compra direta ainda é a melhor estratégia ou se veículos como os FIIs oferecem uma relação mais eficiente entre risco, liquidez e retorno.

Especialistas apontam que, no cenário atual, investir no mercado financeiro, incluindo fundos imobiliários, pode ser mais vantajoso no curto e médio prazo do que mobilizar grandes quantias na aquisição de um único ativo físico, especialmente quando há necessidade de financiamento e reformas.

"Quando colocamos na ponta do lápis, com a Taxa Selic em torno de 14,75% ao ano, o cenário atual de juros restritivos penaliza quem toma crédito e premia quem tem liquidez", avalia Marco Loureiro, sócio e líder da XP na região Centro-Oeste.

De acordo com o especialista, para o investidor de Brasília que tem capital, travar um financiamento imobiliário longo agora significa assumir um custo alto. “É muito mais estratégico aproveitar as taxas atrativas e rentabilizar esse patrimônio acima da inflação e, num segundo momento, ir ao mercado com um poder de barganha muito maior para negociar compras à vista ou com entradas robustas", explica Loureiro.

Esse movimento de cautela e análise também se reflete na diversificação das carteiras. Dados da B3 indicam grande engajamento local: o Distrito Federal lidera o ranking nacional em participação proporcional de investidores, com cerca de 6,5% da população investindo em renda variável (mais que o dobro da média brasileira, de 2,6%). Esse fenômeno reflete o amadurecimento de um investidor que busca não apenas proteger seu dinheiro da inflação, mas também diversificar suas estratégias dentro do próprio mercado.

Para quem busca gerar renda com imóveis, a decisão passa por entender o perfil e os objetivos. Enquanto o imóvel físico pode oferecer ganho de valorização e renda com aluguel, os fundos imobiliários proporcionam distribuição periódica de rendimentos, diversificação e maior facilidade de entrada e saída do investimento. Para o brasiliense que busca exposição imobiliária sem adquirir dívida cara, destacam-se os "fundos de papel" (recebíveis), com isenção de Imposto de Renda e indexadores atrelados à inflação.

Para estruturar essa estratégia, a recomendação é montar uma carteira equilibrada. “O segredo não é apenas fugir do financiamento caro, mas saber onde alocar esse recurso. A diversificação é a chave para blindar o patrimônio e garantir rentabilidade real”, orienta Marco Loureiro.

Ainda segundo Loureiro, o investidor deve aproveitar a vitrine atual do mercado financeiro, mas com estratégia. Títulos atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+ (com taxas que chegam a encostar em IPCA+ 7%),  preservam o poder de compra no longo prazo. Ao diversificar entre renda fixa, fundos imobiliários e uma fatia em ações sólidas e pagadoras de dividendos (como nos setores elétrico e financeiro), o brasiliense "não apenas escapa de um financiamento caro, mas acelera o tempo necessário para conquistar o imóvel dos sonhos com muito mais segurança financeira e sem o peso de uma dívida desproporcional", conclui Marco.

O especialista reforça que o momento exige menos pressa e mais estratégia por parte do investidor. Em um cenário de juros elevados, a prioridade passa a ser a construção de patrimônio com eficiência, aproveitando oportunidades financeiras para, só então, avançar na aquisição de um imóvel em condições mais favoráveis. Nesse processo, ganha relevância a montagem de uma carteira diversificada, que combine diferentes classes de ativos e permita equilibrar proteção, liquidez e potencial de retorno ao longo do tempo.

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