Marcada por contrastes, a saúde bucal no Brasil enfrenta desafios importantes. Contudo, políticas públicas bem desenhadas podem diminuir essas desigualdades
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Um tema importante para a saúde pública, a saúde bucal no Brasil está marcada por contrastes importantes. Mesmo contando com o maior número de cirurgiões-dentistas de todo o mundo, segundo o Conselho Federal de Odontologia, o CFO, o atendimento básico ainda não abrange todo território nacional de forma eficiente.
A realidade da saúde bucal no Brasil
A falta de tratamento dentário e, consequentemente, de higiene bucal, é um problema que traz sérias consequências para o sistema de saúde como um todo. As cáries, por exemplo, muito comuns principalmente em crianças, podem evoluir para problemas gastrointestinais ou até mesmo infecções mais graves.
Nos adultos, milhões sofrem com a perda parcial ou total dos dentes todos os anos, com prejuízos à saúde física, nutricional e emocional. Quando feito um recorte por escolaridade e região, o cenário é ainda pior. Norte e Nordeste sofrem mais com a falta de profissionais e quem possui somente o ensino fundamental faz menos visitas ao dentista, estatisticamente.
O papel da prevenção na melhoria da qualidade de vida
Mesmo iniciativas governamentais como o Brasil Sorridente ainda não foram suficientes para aumentar a cobertura de atendimentos. É preciso democratizar ainda mais o acesso. O Sistema Único de Saúde sofre com muitas limitações para atender a demanda e a falta de incentivo aos tratamentos preventivos acaba direcionando mais aos atendimentos de urgência.
E é a prevenção que cumpre um papel essencial na saúde bucal. Uma rotina diária de cuidados evita a formação de cáries e doenças da gengiva e é de extrema importância, assim como uma visita regular ao dentista para uma limpeza ainda mais profunda e para uma avaliação profissional, execução de exames, entre outros cuidados.
Afinal, doenças descobertas logo no início tem uma chance de sucesso na cura muito maior. A expansão das políticas públicas é, portanto, necessária para um atendimento ainda mais globalizado. A ampliação do acesso, principalmente entre as pessoas mais carentes, certamente pode evitar uma série de doenças, sejam elas relacionadas à especialidade ou não.
Isso diminui a pressão sobre o sistema público de saúde, aponta também para uma melhoria nos indicadores da saúde, auxilia no combate às desigualdades sociais e faz com que a sociedade avance no seu desenvolvimento. E a própria formação profissional adequada deve ser levada em conta.
Políticas públicas e a formação profissional na área da saúde
Embora o país possua algumas faculdades de odontologia tidas como as melhores do mundo, muitos profissionais acabam direcionando sua carreira para o que é mais rentável. 86% dos cirurgiões-dentistas entrevistados pelo censo do CFO realizam tratamentos estéticos, como clareamento e aplicação de lentes de contato dental, de alto custo e fora do alcance da população.
Logo, é
importante que haja o incentivo para que os formandos em faculdade de odontologia direcionam-se
também para a atenção primária e, principalmente, para a saúde pública, de
forma a contribuir de maneira ainda mais incisiva com a expansão do serviço e
nas estratégias de combate às doenças dentais e periodontais.




