Valorização da língua materna é base para formação bilíngue sólida e inclusão educacional, diz especialista
Em 21 de Fevereiro é celebrado o Dia Internacional da Língua Materna, que é o primeiro idioma que uma pessoa aprende na infância. A data foi instituída pela Unesco, o Fundo das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em 1999, como forma de preservar as diferenças entre idiomas e promover a diversidade linguística e cultural.
No Brasil, o tema dialoga diretamente com a expansão do ensino bilíngue. Estimativas do setor educacional indicam que o país já conta com mais de 1.300 escolas com proposta bilíngue em funcionamento, número que evidencia o crescimento consistente desse modelo nos últimos anos. O movimento acompanha uma tendência global: segundo a UNESCO, cerca de 43% da população mundial é bilíngue, cenário que reforça a importância de preparar estudantes para contextos multiculturais e multilíngues.
Para Raquel Nazário, diretora regional da Maple Bear Brasília, valorizar a língua materna é um passo essencial para o desenvolvimento integral do aluno. “Quando a escola reconhece e respeita a língua de origem da criança, ela fortalece sua identidade e amplia sua segurança para aprender. O processo pedagógico se torna mais significativo porque parte daquilo que o estudante já domina”, afirma.
A especialista destaca que ambientes que estimulam o multilinguismo contribuem não apenas para a aquisição de novos idiomas, mas também para o desenvolvimento cognitivo e socioemocional. “O contato estruturado com mais de uma língua amplia repertório cultural, estimula flexibilidade de pensamento e fortalece habilidades de comunicação. Isso impacta diretamente o desempenho acadêmico e a formação cidadã”, explica.
No contexto educacional contemporâneo, discutir a língua materna vai além da preservação cultural. Trata-se de reconhecer a pluralidade linguística presente nas salas de aula e de construir práticas pedagógicas que promovam inclusão e pertencimento. Para Raquel, a data é um convite à reflexão. “Valorizar a língua materna não significa limitar o aprendizado, mas criar bases sólidas para que o estudante avance no domínio de novos idiomas e se desenvolva de forma plena”, reforça.





