Dados do mercado mostram como
tecnologia, regionalização e novos hábitos de consumo estão transformando a
indústria de eventos e abrindo espaço para formatos mais diversos e conectados
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O mercado de eventos brasileiro atravessa uma fase de
forte transformação, marcada pela descentralização geográfica e pela
diversificação de formatos. Se antes os grandes festivais concentravam a maior
parte do público e dos investimentos, hoje o setor se distribui entre turnês
solo, eventos esportivos, experiências híbridas e encontros que combinam lazer,
cultura e bem-estar.
Esse movimento indica que o público continua disposto a
sair e consumir entretenimento, mas agora prefere diluir sua agenda em mais
ocasiões ao longo do ano. Os dados mostram que o Sudeste ainda lidera a
concentração de eventos, com cerca de 60% do total. No entanto, o crescimento
mais expressivo vem de outras regiões. O Nordeste atingiu 20% da concentração
de eventos após um aumento de 8%, enquanto o Centro-Oeste chegou a 11%, com
crescimento de 6%.
O avanço revela um processo de regionalização do setor,
criando oportunidades para produtores, marcas e patrocinadores explorarem novos
públicos e realidades locais. Com mais eventos acontecendo fora dos grandes
centros tradicionais, cresce a necessidade de soluções tecnológicas,
inteligência de dados e operações integradas. É nesse cenário que plataformas
especializadas passam a conectar milhões de pessoas a experiências mais
fluidas, ajudando a transformar informação em decisões estratégicas para organizadores
e patrocinadores.
Eventos menores, maior engajamento e novos formatos de
consumo
Outro fenômeno importante é o destaque dos eventos de
menor porte, que vêm apresentando ticket médio mais alto do que grandes
festivais. A explicação está no comportamento do público: em grandes shows, a
principal motivação costuma ser o artista, o que reduz o foco em consumo de
alimentos e bebidas. Já em eventos menores, o ambiente, a curadoria e a
proposta de experiência se tornam o centro da jornada, incentivando um gasto
maior dentro do local.
Além disso, formatos inovadores vêm ganhando espaço,
como eventos diurnos, experiências ao ar livre e propostas híbridas que unem
esporte, lazer e música. Corridas temáticas, festivais de bem-estar e encontros
que combinam atividades físicas com entretenimento mostram que o público busca
mais do que apenas assistir a um show, ele quer participar, interagir e viver
algo memorável.
O movimento abre espaço para marcas e organizadores
criarem experiências
inovadoras para eventos, capazes de gerar conexão emocional e
maior permanência do público no ambiente. Quanto mais envolvente é a proposta,
maior tende a ser o consumo e o engajamento, criando um ciclo positivo para
toda a cadeia do setor.
A Geração Z e a nova dinâmica do consumo em eventos
O crescimento da Geração Z dentro do público de eventos
é um dos fatores mais relevantes para entender as mudanças recentes. Embora
represente uma fatia menor do volume total de transações em comparação aos
Millennials, esse grupo já influencia tendências, especialmente no consumo de
bebidas. Os dados mostram que a Geração Z mantém um padrão de consumo de álcool
semelhante ao de outras gerações, contrariando a ideia de que esse público
estaria abandonando as bebidas alcoólicas.
A diferença está no tipo de produto escolhido. A
preferência por RTDs (bebidas prontas para beber) e o menor consumo de cerveja
indicam uma adaptação ao estilo de vida mais prático e às experiências mais
rápidas e diversificadas. No primeiro trimestre, o ticket médio da Geração Z
passou de R$107,21 em 2024 para R$110,85 em 2025, um crescimento de 3,4%,
mostrando que, mesmo com menor poder aquisitivo, esse público segue aumentando
os gastos em eventos.
Já os Millennials continuam liderando em volume de
consumo, com ticket médio acima de R$127 em 2025. Ainda assim, é a Geração Z
que dita tendências e influencia o formato dos eventos, desde o tipo de bebida
oferecida até a maneira como a experiência é desenhada.
Pagamentos digitais e a consolidação do modelo cashless
A forma de pagar também acompanha essa transformação. O
cartão de crédito segue como o principal meio de pagamento, representando 46%
do volume total de transações e dominando especialmente entre os Millennials,
que realizam mais da metade de suas compras nesse formato. Para a Geração Z,
embora o volume total seja menor, o crédito também é relevante e mostra
estabilidade em relação ao ano anterior.
Ao mesmo tempo, o PIX e as carteiras digitais continuam
ganhando espaço, tornando-se os métodos com maior crescimento dentro dos
eventos. Já o dinheiro físico segue em queda, reforçando a tendência de
ambientes cashless, que oferecem mais agilidade, segurança e dados para análise
do comportamento do público.
Esse avanço dos pagamentos digitais não é apenas uma
questão operacional. Ele permite entender melhor quem consome, quanto gasta e
em que momento, oferece uma base sólida para que produtores e marcas ajustem
ofertas, estoques e ativações em tempo real.
O que esperar do mercado de eventos nos próximos anos
Olhando para 2026, as oportunidades se concentram em
três grandes frentes: a expansão regional, o fortalecimento da Geração Z como
principal influenciadora de consumo e a consolidação dos meios de pagamento
digitais. Nordeste e Centro-Oeste surgem como territórios estratégicos para
novos investimentos, enquanto os RTDs e formatos de eventos mais flexíveis
devem seguir em alta.
Em um setor cada vez mais guiado por dados e
experiências, entender o comportamento do público deixa de ser diferencial e
passa a ser requisito básico. Quem conseguir alinhar tecnologia, criatividade e
leitura de mercado estará melhor posicionado para aproveitar a próxima onda de
crescimento da indústria de eventos no Brasil.




