O modo de vestir altera sensações físicas, respostas emocionais e a relação com a própria identidade
iStock / Ivan Pantic
A moda ultrapassa
tecidos, tendências e montras: é um reflexo da cultura e da forma como cada
indivíduo se exprime no mundo. Ou seja, o que se veste não só comunica quem se
é, como é também um gesto simbólico, uma forma silenciosa de expressão que
revela pertença, humor, história e até desejo de mudança.
Assim, a roupa
influencia a maneira como o corpo se movimenta, a mente reage e a autoestima se
constrói. É neste contexto que surge a psicologia da moda, um campo que
investiga como o vestuário molda emoções, perceções e comportamentos.
Afinal, cada cor,
corte ou textura traduz sensações e intenções, impactando como as pessoas se
percecionam e são percebidas.
Impacto no corpo
A relação entre
moda e corpo vai muito além da aparência. Isto porque o caimento, o tecido e o
corte das peças interferem diretamente na postura, na circulação e até na forma
como o corpo se movimenta.
Quando uma peça
veste bem, há conforto físico, sensação de leveza e liberdade de expressão
corporal. Por outro lado, quando está apertada, curta ou desajustada, o
desconforto afeta não só o corpo, mas também a segurança emocional.
Deste modo,
escolher o tamanho adequado não é uma questão de vaidade, mas de bem-estar.
Como a moda pode afetar a saúde mental
A roupa exerce
influência direta sobre o estado emocional e mental, ainda que de forma subtil.
O simples ato de se vestir desperta reações químicas e cognitivas capazes de
alterar o humor, a autoperceção e até o desempenho em determinadas tarefas.
Pesquisas
conduzidas pela Northwestern University identificaram esse fenómeno como
“cognição vestimentar”, conceito que explica como as peças escolhidas no dia a
dia podem modificar o comportamento e o foco de uma pessoa.
Por exemplo, ao
vestir algo que carrega um significado simbólico, como uma bata de médico ou
uma roupa de treino, o cérebro tende a ativar atitudes associadas àquela
imagem, como responsabilidade, disciplina ou atenção.
A relação entre
moda e bem-estar emocional também se manifesta no dia a dia. Adotar o hábito de
se arranjar, mesmo em momentos em que não é necessário sair de casa, pode
despertar sensações de prazer e satisfação, estimulando motivação e disposição
para as tarefas quotidianas.
Arranjar-se, neste
contexto, tornou-se um ato de saúde mental, um gesto simples capaz de sinalizar
ao cérebro que é hora de retomar a rotina e o cuidado consigo mesmo.
Esse autocuidado
também ocorre quando a moda abre espaço para a criatividade. Ao customizar camiseta, por exemplo, é possível
transformar uma peça simples em algo único, carregado de identidade e
significado.
O ato de
transformar o que já existe, dando-lhe nova forma e propósito, é uma metáfora
do próprio processo de autodescoberta.
Como a moda influencia a autoestima
A autoestima é
formada pela perceção de valor que cada pessoa tem de si mesma, uma combinação
entre autoimagem, autoconfiança e autovalor. Na prática, vestir-se de maneira
condizente com quem se é funciona como uma validação simbólica.
Não por acaso, em
períodos de insegurança, muitas pessoas procuram renovar o guarda-roupa ou o
estilo como um gesto de recomeço e retomada do controlo sobre a própria imagem.
A moda, portanto,
atua como uma ferramenta de reconstrução da autoestima: ao usar uma roupa que
nos faz reconhecer, há um fortalecimento do vínculo connosco.
Ademais, ainda que
ela idealmente se construa de dentro para fora, o olhar do outro também exerce
influência. Elogios sobre a aparência ou o estilo funcionam como reforços
positivos, capazes de impulsionar o bem-estar.




